Para Além do Moralismo, a Saúde

11 jul

Em primeiro lugar, quem quer que leia precisa se preparar para ler coisas um pouco diferentes do que o que se ouve por aí. Você foi avisado!

A alteração de estados de consciência é algo antigo e recorrente na humanidade. Religiões xamânicas fazem uso de preparados com ervas e cogumelos mágicos, na Grécia Antiga a embriaguez fazia parte do culto a Diosnísio e não nos faltam exemplos na humanidade para provar que a alteração de estados de consciência faz parte da cultura humana como um todo. Alguma dúvida?

E o que dizer então dos cultos neopetencostais nos quais alguns fiéis visivelmente alcançam estados de consciência bem distintos do normal. Eles têm visões, eles falam em outras línguas, têm sensações diferentes e muitas vezes até caem no chão. Não sem motivo, os cultos neopetencostais atraem cada vez mais fiéis.

Não estou dizendo que estes fiéis são propriamente drogados, mas sim que a alteração de estados de consciência não depende exclusivamente de substâncias e que estas alterações podem ser induzidas por outras experiências, afinal, nosso cérebro tem todo o aparato bioquímico para provocar estas alterações.

Do ponto de vista fisiológico, qual seria a diferença entre alguém que tem visões divinas na Igreja Universal e alguém que igualmente tem estas visões em um culto xamânico? Provavelmente, a diferença é sutil ou não há nenhuma. E da mesma forma, poderíamos citar os esquizofrênicos que têm alucinações visuais e auditivas. Como disse anteriormente, não nos faltam exemplos.

Mas o sentido destas alterações mudou bastante  principalmente a partir do século XX. O advento da medicina moderna modificou sensivelmente a maneira como a humanidade utiliza substâncias químicas.

Dá para imaginar que, por exemplo, a cocaína era receitada como remédio? Que a maconha nem sempre foi proibida? Que o LSD só foi proibido por causa da oposição à Guerra do Vietnã? E que o álcool foi proibido nos EUA?

Comparando com remédios que podem ser comprados em uma farmácia, podemos chegar facilmente à conclusão de que o critério utilizado para a proibição de substâncias psicoativas não tem nada a ver com possíveis danos à saúde.

Se assim fosse, remédios populares como o Rivotril jamais poderiam ser vendidos com prescrição médica. Já leu a bula de remédios como Roacutam, Rivotril, Ritalina, etc.?  Então, vamos concordar aqui que a maioria das substâncias psicoativas que são proibidas, não o são “porque faz mal”.

 Mas de fato, no que diz respeito à sutil e complicada química cerebral, não é demais aceitar que interferir nela pode provocar problemas sérios. E daí, vemos que sim, há uma diferença entre utilizar um medicamento em função de um problema de saúde (seja ele depressão ou algum outro mal) ou usá-lo como substância recreativa. No que diz respeito a possíveis danos, existe uma relação de desequilíbrio na relação risco x benefício.

Então, jogando fora o moralismo e mantendo o bom senso como norte, é preciso entender que existe uma relação risco x benefício no que diz respeito ao uso de diversas substâncias. Mas quem deve avaliar essa relação? O médico, o Estado, ou o cidadão comum?

A minha resposta pessoal a este problema envolve tanto o Estado, quanto os profissionais de saúde e o cidadão comum.

Cabe ao Estado, através das políticas de saúde pública, promover ações que visem minimizar os danos decorrentes do abuso de substâncias psicoativas. O que quer dizer também, por exemplo, que existe uma hierarquia necessária. É sabido até mesmo pelo senso comum que a cocaína e o crack são muito mais nocivos do que a maconha, por exemplo. Medidas como a do Uruguai, por exemplo, sinalizam exatamente isto: para o bem comum, é preferível que usem maconha do que cocaína e crack. Então o dever do Estado é, pelo bem comum, promover a redução de danos.

O profissional de saúde deve então atuar no sentido da redução dos danos para os pacientes, tal como prescreve o Ministério da Saúde. O profissional de saúde deve promover a saúde e não a moral e os bons costumes. Se o profissional, por exemplo, acha que beber é moralmente errado, isso é irrelevante para tratar o paciente. O paciente deve ser cuidado, independente se ele quer ou não se abster.

O cidadão comum, por sua vez, neste contexto, deve ter o poder de decidir. Mas decidir utilizar uma substância (prescrita ou não, ilícita ou não) deve vir com proporcional auto-responsabilização. Uma das coisas mais nocivas com relação ao uso de drogas é justamente a noção do “não era eu”. O “não sou eu, é a droga” é uma das coisas mais nocivas ao indivíduo e à sociedade.

Cuidar de si, mesmo (e principalmente) quando usa uma determinada substância, é fundamental para evitar a toxicomania, assim como males que atinjam outras pessoas. Por exemplo: o indivíduo que bebe álcool pode fazê-lo desde que não coloque a vida de outrem em risco, o que quer dizer que não pode dirigir, não pode trabalhar, etc.

Mas o usuário, toxicômano ou não, não deve ser criminalizado.

A argumentação é óbvia e até simplória: se ele é apenas um usuário, está prejudicando apenas a si mesmo, então não é da conta de ninguém e se, por outro lado, ele é toxicômano, precisa de cuidados e não de cadeia. De qualquer forma, prender não é a solução.

Não é importante se você é religioso ou moralista. A promoção da saúde deve estar acima de preceitos morais de grupos específicos e isso vale para muitos assuntos. Entenda que o que você acredita que as pessoas deveriam fazer não é o que deve reger um país. O governo é para todos, o sistema de saúde é para todos então façamos valer este princípio.

Assim sendo, defendo a completa descriminalização dos usuários de drogas, aliada a uma efetiva política de promoção da saúde. Se você concorda com isso, leia e assine a petição.

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Atentado Contra as Mulheres

11 jul

Já ouviu falar em Estatuto do Nascituro?

Aparentemente pode soar bem, mas na verdade as consequências são bem nefastas, ainda que você jamais planeje fazer um aborto em sua vida, o projeto, se virar lei, poderá afetar até mesmo a sua vida!

Neste link você poderá ler mais a respeito e se concordar, assinar a petição. Se você também acha que esta é uma causa importante, por favor, perca alguns minutos da sua vida para assinar, ok?

Imaginem que cada mulher que hoje em dia pode fazer um aborto legal simplesmente não poderá mais? Imaginem uma mulher com gravidez tubária (aka morte certa para ambos) impedida de interromper a gravidez? Imaginem meninas de 9 ou 10 anos sendo obrigadas a levar uma gravidez a diante? Imagine você, que não provocou um aborto, ser investigada por causa de um aborto espontâneo? Imagine se você você ou sua filha, ou alguém que você ama estivesse em situação tão extrema e desesperadora a ponto de enfiar um objeto pelo canal vaginal para tentar provocar um aborto?

Países que proíbem o aborto não fazem com que ele deixe de existir, mas por outro lado, aumentam muito o número de mortes em decorrência de abortos clandestinos. E se a única vida que te interessa preservar é a do embrião ou feto, eu só tenho uma coisa a te dizer: feche esta aba e finja que este blog não existe, ok?

Aborto se evita com educação e planejamento familiar, não com criminalização. Deveria ser óbvio, mas se recusam a acreditar.

Governo tenta assustar movimento grevista, mas decisão do STF contraria orientação governista

9 jul

Governo tenta assustar movimento grevista, mas decisão do STF contraria orientação governista.

 

Notícia excelente! Vamos que vamos!

Como Funciona a Corrupção?

9 jul

Esta é uma pergunta que muitos devem ter em mente a cada vez que pensamos sobre os mecanismos da corrupção. Como ela realmente funciona e em que níveis ela funciona? Será que é algo como “eu sou corrupto, você é corrupto, vamos ser amigos?”

Nada mais distante da realidade, mas é exatamente assim que preferem que pensemos que funciona e desta forma e corrupção se mantém invisivel e você não perceberá quando estará sendo corrompido. Inteligente, não?

Eu, por outro lado, entendi um pouco sobre como funciona a corrupção participando do movimento estudantil de alunos secundaristas. Em primeiro lugar, esclareço que naquele tempo eu era estudante do Colégio Municipal Rui Barbosa, em Cabo Frio.

Naquela época, no início dos anos 2000, não havia movimento estudantil consolidado em toda Região dos Lagos e acredito que até hoje não há, infelizmente. Mas em 2001, aos 15 anos, junto com mais outros jovens da mesma idade, resolvi combater um gigante.

Motivo: os alunos da rede pública estavam ameaçados de perder o passe-livre e na verdade, os alunos que moravam em outras cidades da região haviam naquele momento perdido o direito ao passe-livre. Eu era moradora de Cabo Frio e morava perto o suficiente para ir a pé, caso acabasse o passe livre, mas considerei que essa era um causa pela qual valia a pena lutar.

A articulação, até onde sei, começou no Rui Barbosa e então “ressucitamos” o grêmio. Encontrei algumas dificuldades em ingressar na luta, afinal, no entendimento político limitado de alguns eu só deveria estar nas reuniões caso eu fosse “representante de turma”. Ser representante de turma significa e sempre significou popularidade e não engajamento político. Mesmo sendo impedida de participar, insisti até que tiveram que me engolir por lá. Mesmo porque, de fato, os representantes de classe estavam cagando e andando para a movimentação política que estava acontecendo.

Nos comunicamos com representantes de outras escolas e conseguimos nossa primeira vitória: fizemos uma manifestação em Cabo Frio que abrangeu escolas de várias cidades. Foi uma manifestação linda! E fruto de muito esforço de todos nós, afinal foram muitos dias indo de sala em sala convocando os alunos secundaristas para a manifestação e para as reuniões.

A beleza da manifestação só foi ofuscada por um policial descontrolado (à paisana) apontando sua arma contra nós sei lá porquê. Aliás, o sujeito é conhecido na cidade por ser maluco (Bernard o nome dele, se não me engano), mas entre ser maluco e apontar uma arma para estudantes que sequer infringiram alguma lei….

Entretanto até fiquei feliz com a participação dos policiais, afinal eles também eram pais de alunos da rede pública e eles nos apoiaram e protegeram quando o maluco veio para cima de nós. Só não tiveram a minha total aprovação porque quando dissemos que daríamos queixa dele por ter nos ameaçado,  nos colocaram medo dizendo que não dariam em nada e que se desse em alguma coisa que ele iria se vingar…A impotência que bate nessas horas é terrível!

O Segundo momento marcante se deu em frente à Câmara de Vereadores de Cabo Frio, quando fizemos uma manifestação para exigir que eles intervissem na situação, afinal, apenas com a aprovação dos vereadores a Viação Salineira poderia implantar as catracas eletrônicas e os cartões de bilhetagem eletrônica que limitariam o “passe-livre” a duas passagens diárias.

Lembro bem de uma jovem que ficava o tempo todo enchendo o saco e dizendo que protestar em frente à Câmara de Vereadores faria com que os alunos do Rui fossem considerados baderneiros, etc. I don’t gave a shit. Garota imbecil. Mas infelizmente, ela não era a única. Acho que nunca na minha vida tive o desprazer de conhecer gente mais imbecil do que naquela época.

E por falar em imbecil, tinha um tal de “palhaço natureza”, que naquela época era estudante do Miguel Couto (outra escola de Cabo Frio, estadual) e resolveu “entrar no movimento” para depois se lançar como vereador. Olha, ainda bem que ele não conseguiu…

Além de ser o pior palhaço que eu já vi (e eu detesto palhaços), ele provavelmente é o mais ignorante e preconceituoso também. Nossa!

Nesta mesma manifestação ele era o dono do microfone, o único que tínhamos disponível. Quando eu pedi a fala (que ele havia se achado no direito de monopolizar), ele me anunciou com um “calma aí que as patricinhas querem falar”.

Eu, que nunca fui de ter muitas papas na língua comecei com um “patricinha é o escambau, eu sou estudante e estou aqui pra lutar”. Com esse prelúdio me senti confiante e discursei para várias pessoas sobre o motivo de estarmos ali. O palhaço-candidato teve que enfiar o rabo entre as pernas e calar a boca. Até tentou se vingar de mim com seu carro de som, me gritando no meio da rua (ele era meio stalker e ficava me chamando de Vandinha Adams e “ditadora da manifestação”), mas não dei atenção. Estava mais preocupada em estar no movimento estudantil e torcer para que ele não fosse às reuniões.

Então, no terceiro momento, conseguimos uma reunião com o diabo. Sim, conseguimos uma reunião com o dono da empresa. Tivemos outras reuniões com vereadores, etc. depois que fizemos barulho, mas elas foram consideravelmente inóquas.

Na reunião com o dono da empresa aprendi muitas coisas sobre a vida, como por exemplo, que ninguém fica milionário sendo bonzinho. Mas enfim, éramos cerca de 20 estudantes em reunião na sede da Salineira, frente a frente com aquele a quem xingávamos diariamente.

Ele, uma pessoa muito hábil com palavras e argumentação razoável, sutilmente seduziu a maioria daqueles alunos. Ele chegou a falar em empregar estudantes para ajudar na fiscalização do passe-livre! Muitos saíram de lá sorridentes e convencidos de que aquela reunião tinha significado uma espécie de vitória. Não era.

Eu percebi que a minha voz e a de mais umas 2 pessoas que não tinham se deixado levar pela conversa mole dele jamais seriam ouvidas. As pessoas estavam seduzidas pelo canto da sereia encarnada em um empresário da área de transportes de tal forma que elas nem questionaram. Ele não prometeu dinheiro naquela reunião ou mesmo emprego, mas sinalizou que aqueles que o apoiassem poderiam ter algum tipo de vantagem.

Logo depois fiquei sabendo de estudantes que estavam no movimento mas tinham inclusive viajado para Curitiba com dinheiro da Salineira. Claro que havia ali uma boa intenção do tipo “vamos mostrar para os representantes do movimento estudantil como funciona a bilhetagem eletrônica e porque ela é boa”. Isso para mim se chama no mínimo cooptação do movimento. Isso nunca foi confirmado mas foi o suficiente para que eu caísse fora. Eu sabia que se fizesse parte daquilo acabaria presa, morta ou isolada socialmente. Entende como a corrupção começa sutilmente?

Logo depois a bilhetagem eletrônica foi aprovada e implantada. Os alunos continuaram tendo direito a um número X de passagens, mas para isso precisam ter um passe eletrônico fornecido pela empresa e se o aluno o esquecer ou se estiver vencido (e ele ainda não conseguiu ir à empresa fazer outro), não entra no ônibus, mesmo que comprove com o uniforme e a sua carteirinha de estudante que tem direito ao passe-livre.

Outra coisa frequente na Salineira é exigir este mesmo bilhete eletrônico dos idosos, mesmo que eles sejam visivelmente velhos e estejam portando carteira de identidade. Tal postura de destrato é uma política da empresa que ignora inclusive a lei do passe livre e o estatuto do idoso. Aqui na região o que manda é o dinheiro e o dinheiro e o poder da Salineira silencia a todos.

Por isso, nas próximas eleições, votarei no candidato que prometer chutar a Salineira daqui.

Pensamento do Dia:

9 jul

“Sou politicamente incorreto = Assino a Veja e tenho orgulho disso”

      Eu mesma

Filho da Puta Sem Coração, Sem Vergonha na Cara e ….Famoso!

7 jul

Em primeiro lugar devo esclarecer que ninguém é obrigado a gostar de nada e nem de ninguém, ok?

Então, o tal do Thiaguinho (who?), na frente das câmeras diz que vai adotar a cadela, que vai pagar o tratamento, isso e aquilo.

Realidade: fugiu de dar explicações para a imprensa quando vazou que era tudo mentira.

Caro pagodeiro: se não vai fazer, não promete que fica menos feio, ok?

Citação

Então Você Cria Emprego…

7 jul

Você joga lixo no chão para dar emprego para os garis?

Então porque você não se mata e aproveita para dar emprego para o coveiro e para o papa-defunto?